terça-feira, 11 de abril de 2017

Botas Táticas vs Coturnos Militares

Botas tàticas (brasileiras) vs coturnos militares
Durante muitos anos usei coturnos militares no mato (eram praticamente a única opção viável na época) e acompanhei a mudança do velho, pesado e desconfortável "queixo duro" da Alpargatas para os novos modelos atuais, bem mais leves e confortáveis e dos quais me tornei um fã, ao longo dos anos.
Porém, a algum tempo atrás, comecei a usar os modelos táticos mais caros, bonitos e que possuem mais "testosterona" em seu design e estética, o que lhes confere um apelo muito grande. Os preços tbm são bem maiores e variam de 400 a quase mil reais, dependendo do modelo e marca.
Bom, eu sempre fui um destruidor de calçados, desde jovem. Meus tênis sempre acabavam mais rapidamente que de meus irmãos e as atividades que faço no mato, ao longo de minha vida, ajudaram bastante a destruir muitos calçados.
Então, pra mim, preciso de botas que sejam fortes e resistentes, mas leves o bastante para poder usá-las ao longo do dia todo (e as vezes a noite), constantemente, durante o ano todo e em terrenos que podem ser rochosos, alagados, arenosos, de florestas úmidas ao cerrado seco!
Minha decepção foi grande, ao perceber que nenhuma das botas táticas que eu tive, aguentava o tranco da mesma forma que os coturnos que estava acostumado a usar. A que durou mais, resistiu por um ano e meio e na primeira vez que a lavei, ela descolou e abriu as duas solas. Seu valor está em torno de uns 500 reais. Além disso, uma vez encharcadas, levam dias para secar.
Tbm tive 2 pares de uma outra marca, na mesma faixa de preço e em menos de 1 ano todas rasgaram e tiveram ruptura da estrutura interna de seus calcanhares, inutilizando seu uso. Vi isso acontecer com botas da mesma marca, de outras pessoas.
Isso me fez avaliar o custo benefício das botas brasileiras normalmente apontadas como boas, para o uso pesado.
Hj penso que elas são apenas para ações "táticas" urbanas, em cenários de relevo menos acidentados. Creio que no asfalto elas tem uma performance melhor que nos perrengues do mato, onde elas sem dúvida, deixam a desejar, pelo menos se considerarmos a frequência de seu uso e aquilo que é exigido delas nestes ambientes.
Além disso, pelo preço de uma bota tática é possível adquirir 3 coturnos extra-leves, que vão resistir ao menos 3 anos de pancadarias constantes, mas sem o apelo "desert warrior" no estilo SEALs. Soma-se a isso, o fato de que os coturnos são mais leves e secam muito mais rapidamente que as botas táticas que usei.
Uma única desvantagem dos coturnos, em geral, são suas palmilhas baixas e desconfortáveis, que fazem doer os pés em longas caminhadas, porém, com o tempo e a experiência, acabei aprendendo como resolver este ponto negativo dos coturnos. Sempre compro um número maior que o meu e coloco dentro uma palmilha ortopédica ou de um bom tênis de corrida e, assim, eu elimino o problema do desconforto.
Enfim, após alguns anos tentando achar um substituto para meus velhos "boots", abandono as tendências da "moda-sou-foda-pra-cacete" e volto para os coturnos de couro e lona, simples, leves e tradicionais, que, em geral, prefiro nas cores marrom e verde!
Imagino que haja outras marcas de botas táticas (talvez, melhores que as que testei), mas estou certo de que seu custo é proporcionalmente ainda mais elevado, o que me desanima muito para adquiri-las, fazendo com que eu as deixe de lado e prefira aquilo que o tempo e a experiência em campo já me ensinaram.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Sobrevivência em Ambientes Naturais: Fatos e Mitos

Vontade de Ir para o Mato:

Se há algo que povoa o imaginário das pessoas, sobretudo o masculino, é a ideia do homem sobrevivendo na mata e dos recursos da terra, domando a natureza e sobrepujando os desafios do meio ambiente com o mínimo de equipamentos e bastante testosterona para impulsionar suas aventuras.

Eu me arriscaria até a dizer que este cenário pode mesmo remeter a um longo período de nossa existência neste planeta e de algum modo, ainda presente em nossa memória. Porém, a distância tecnológica e cronológica acabam nos levando a criar fantasias e conceitos que não se aplicavam para os povos primitivos de antes, nem muito menos para os humanos contemporâneos.

     
Hollywood


Graças ao cinema e às centenas de filmes do gênero já produzidos e os programas de tv que acharam um novo segmento do entretenimento de aventura a ser explorado, além de incontáveis canais de vídeos e fóruns de discussão relacionados ao tema na Internet, muito se tem ouvido falar hoje em dia sobre os termos: Sobrevivência na selva, técnicas primitivas de sobrevivência, além, também, das técnicas de bushcraft ou mateiras, se preferirem.

Contudo, apesar de haver, notadamente, um número considerável de boas informações lá fora, há também, ainda, muita fantasia e desinformação permeando essa área, erroneamente difundida por aqueles que, supostamente, são “peritos” no assunto, mas que acabam levando outros a se exporem à riscos grandes desnecessários e, por muitas vezes, fatais como, lamentavelmente, já ocorreu.

O Registro Arqueológico

Para entendermos um pouco melhor a questão do homem na natureza selvagem, olhemos para aquilo que o registro arqueológico nos revela, sobre alguns aspectos que, em geral, passam despercebidos para maioria das pessoas. Em 1991 descobriram ao norte da Itália, uma múmia congelada e preservada por mais de 5 mil anos de idade, chamada pelos cientistas de Otzi, O Homem de Gelo. Além da múmia, foi encontrado, também, boa parte de seu equipamento primitivo.

Destacamos aqui, apenas, alguns pontos que podemos verificar pelo exemplo em questão. Otzi, O Homem de Gelo, continha uma série de itens importantes e fundamentais para sua sobrevivência e cujos equivalentes modernos podem ser encontrados hoje em dia com qualquer montanhista. A mesma lógica utilizada pelo nosso amigo do gelo a 5300 anos atrás, continua a ser aplicada hoje em dia.

Apontamos aqui um aspecto relacionado à multifuncionalidade do equipamento do Otzi, cujo princípio ainda nos orienta: Prefira objetos ou itens que tenham mais de uma função ou utilidade, se for possível. O cinto que mantinha a perneira do Otzi erguida e cobrindo suas pernas, servia, também, como kit de sobrevivência, uma vez que dentro nele, havia vários itens menores indispensáveis para sua sobrevivência, como lâminas, remédio, isca de fogo, entre outras coisas. Muito parecido com a configuração contemporânea de um cinto/kit de sobrevivência comumente usado por milhares de pessoas em todo o mundo.

Para cada objeto levado pelo Otzi, há um correspondente atual que fará a mesma coisa, com um grau de desempenho melhor e mais rápido que seus equivalentes pré-históricos, poupando muito tempo e calorias para o ser humano moderno.

Tanto ontem como hoje, precisamos de abrigo, fogo, formas de nos alimentar e hidratar e precisamos ter as condições básicas à nossa disposição, para obtermos esses aspectos, uma vez estando em ambientes naturais hostis. O homem só aperfeiçoou a forma como ele dava conta daquilo que precisava, sempre visando um gasto menor de tempo e calorias.

Outra lição importante sobre o fato de que ele tinha e levava consigo tudo aquilo que julgava necessário, é porque ele sabia que obter tais recursos da natureza para uso imediato, na maioria das vezes não era possível. Ou seja, ele tomava medidas prévias e se precavia.


 Preparo Prévio

Na maior parte das vezes, o indivíduo terá muito pouco controle de todos os fatores ou vetores envolvidos num cenário de sobrevivência em ambientes naturais hostis. Assim sendo, o preparo prévio, traduzido hoje em dia, principalmente, por seu kit de sobrevivência, se torna uma ferramenta preciosa em tais situações, uma vez que ele te possibilita o mínimo de controle, em uma posição que, por natureza e definição, já te limita parcialmente ou totalmente o domínio e atuação.

Isso significa entrar no mato preparado, com itens que vão poupar tempo e calorias e que te deixam mais independente de recursos ou condições naturais que podem não ser favoráveis ou estarem disponíveis em um momento crucial de vida ou morte.

A ideia contemporânea de sobrevivência na selva ou em qualquer ambiente natural hostil é apenas por um período limitado de tempo. Estatísticas americanas sobre situações de sobrevivência mostram que, em geral, estamos falando de um cenário de 72 horas ou 3 dias, dentro dos quais o sobrevivente sai vivo ou não. Claro que há situações em que este período pode se estender por bem mais tempo, mas tais casos ocorrem menos.


Largado no Mato


Eu me lembro, em minha juventude, de sonhar em viver da mata sozinho, por um longo tempo, caso eu quisesse ou precisasse, mas ao longo de minha jornada nas matas, percebi que este desejo de viver sozinho, isolado, completamente auto dependente e autossuficiente é uma fantasia que não traduz a realidade humana ao longo de nossa história.

O fato, é que nós pouco podemos sozinhos, não importa quanto conhecimento e experiência mateira nós venhamos a ter. Nosso sucesso em nos manter com vida em tais situações de longos períodos se dará até o momento em que ficarmos doentes e precisarmos de ajuda e cuidados de terceiros ou tratamento médico.
Imagine ter de realizar as tarefas mais básicas e simples, como pegar lenha para o fogo, fazer fogueiras, construir ou consertar abrigos, coletar e tratar água, obter alimentos, deslocar por um terreno acidentado, entre outras coisas, estando doente ou ferido.

Muito dificilmente, qualquer pessoa que esteja com cortes ou fraturas infeccionadas, ou que esteja enferma, com muita dor ou enfraquecida conseguiria dar conta de todos estes aspectos fundamentais para manter-se vivo no mato.

Por isso, desde cedo em nossa história, a humanidade procura o conforto e a segurança de seu grupo, primeiramente em estruturas de clã, até chegarmos nas configurações urbanas atuais.

Mais uma vez, o registro arqueológico nos apresenta um caso em que verificamos a importância do grupo na sobrevivência individual em tempos de enfermidades. Em meio às ossadas de um grupo de homo-erectus, havia um indivíduo, cujas marcas na mandíbula indicavam que ele havia sofrido uma forte infecção na boca, mas conseguiu sobreviver a ela, uma vez que havia sinais de cicatrização, indicando uma recuperação.
Para tal criatura ter vencido a doença, ele teve de ter sido cuidado e alimentado com comida mastigada por outros, dada sua incapacidade para realizar tal ação durante aquele período. Ou seja, se não fosse pelos cuidados de seu clã, ele teria padecido por causa de sua enfermidade e isso nos serve de ensinamento hoje em dia.

Pensarmos em autossuficiência em ambientes naturais hostis, estando completamente só, por um longo tempo era e continua sendo uma fantasia que poderá custar caro para aqueles que não aprenderam a lição número 01 da natureza: Humildade.

Kits de Sobrevivência para que, Afinal?

Para respondermos à essa pergunta temos de entender que a natureza não está contra nem a favor do sobrevivente. Ela é neutra e tem suas regras. 

Porém, aqueles indivíduos que encaram a natureza como um “inimigo a ser vencido”, assumem uma posição arrogante e perigosa para si próprios. Cabe ao sobrevivente se adaptar e se ajustar às condições impostas pelo ambiente. Por isso levamos um kit moderno. Para ajudar a melhorar nossas chances de podermos superar os desafios do ambiente e isso oferece ao indivíduo, o mínimo de controle em situações que em sua essência e natureza, já não lhe deixam muitas opções de ação e escolha.

Já recebi críticas, em alguns de meus vídeos que falavam sobre a importância de se ter e saber usar um kit moderno de sobrevivência, em que as pessoas diziam que eu deveria ensiná-las como fazer fogo com fricção, caso elas não tivessem um isqueiro. Mas é exatamente o contrário. Pelo fato de eu saber muito bem a realidade do fogo por fricção, em que uma grande variedade de aspectos e fatores sobre os quais vc não tem controle algum, tem de estar favoráveis para se aplicar a técnica, tais como o posicionamento correto do corpo, o tipo de madeira certa, a umidade presente no ambiente e no material, recursos suficientes disponíveis para se construir uma isca de fogo básica, entre outras coisas, tudo isso, me leva a dar muito mais valor a um isqueiro a gás simples e enfatizar a importância de se ter um consigo.

Não há qqer justificativa moderna para uma pessoa não ter um isqueiro do tipo Bic, junto a si. Ele é leve, não ocupa espaço no bolso, é barato e pode ser levado á bordo de aviões comerciais, ônibus, trens, etc. Muitos já padeceram no passado por não terem a garantia de uma chama tão rápida, em tão pouco tempo e sem nenhum esforço físico, além do movimento do polegar. Há, ainda, um velho ditado no meio dos praticantes das técnicas mateiras, que diz: Quanto mais aprendo sobre como fazer fogo da forma primitiva, mais aprecio trazer um bic comigo! E é isso mesmo.

As técnicas primitivas, mateiras e de bushcraft não devem ser sua principal opção e linha de ação, mas devem representar um plano “b” ou “z”, caso vc não tenha os recursos modernos disponíveis, dada a sua complexidade e grau de dificuldade. O planejamento de sobrevivência deve ser feito com maturidade e seriedade, entendendo sua realidade, o local e o momento em que se encontra. Seu preparo tem de ser sólido, uma vez que sua improvisação nunca o será! Não se planeja improvisar em tais situações.

Negligenciar tal realidade é agir de forma, no mínimo irresponsável e arrogante. Estes dois aspectos combinados, em geral, levam à tragédias fatais no mato.


Os Atletas e o Mato

Outro ponto que tende a ser valorizado em excesso é o condicionamento físico. Já vi gente com muito pouca experiência ou conhecimento das prioridades em situações de grande risco no mato, confiarem excessivamente em sua habilidade física, capacidade de corrida ou condicionamento físico em geral, para poder resolver os problemas que eles imaginam haver.

Essa mentalidade ainda é reforçada por certas abordagens vistas em programas de tv, que acabam por enfatizar e superestimar um aspecto que, apesar de sua importância e relevância, não seria capaz de salvar alguém, na maioria dos cenários que pudéssemos levantar. Há incontáveis outros vetores em atuação, para que o resultado seja determinado por apenas um fator exclusivo, como o condicionamento físico do sobrevivente.
Aqui, a lista de fatores, ou vetores, determinando rumos, acontecimentos e desdobramentos são tão variados quanto pudemos imaginar. Uma decisão errada, uma curva ou virada na trilha despercebida, um abrigo mal escolhido, um descuido com seu equipamento ou uma lâmina e panoramas completamente diferentes podem ser determinados para pessoas expostas à tudo que pode acontecer ao homem em ambientes naturais hostis.

Sobre certos vetores ou aspectos deste cenário, podemos ter um grau maior ou menor de controle, sobretudo de tivermos recursos disponíveis para atenuarem os efeitos e demandas desses cenários, como o preparo prévio de emergência já mencionado. Ou seja, há coisas que vc controla e dependem de sua resposta pessoal e há outros aspectos sobre os quais vc não tem controle algum e nada ou quase nada pode fazer para interferir.

Assim sendo, se tivermos que avaliar a importância de qqer tipo de condicionamento que pudermos ter para tais situações de emergência e sobrevivência, nós entenderemos que o condicionamento mental (ou preparo psicológico) é muito mais importante e relevante para enfrentar essas situações de grande stress e impacto para o ser humano, que o número de flexões alguém pode fazer ou quantos km a pessoa é capaz de correr.


A Principal Ferramenta de Sobrevivência: Sua Mente

Nós já nascemos equipados com a ferramenta mais importante para nosso sucesso em situações de sobrevivência: Nosso cérebro!

Ao percebermos a importância da atitude mental para enfrentarmos os desafios impostos pela sobrevivência humana em ambientes naturais hostis, poderemos compreender e trabalhar mais claramente os aspectos gerais da nossa resposta para essas situações de risco.

No que tange aos aspectos da sobrevivência (vetores) sobre os quais alguém tem controle, destacamos o eixo de resposta pessoal com os elementos atuantes:

Aspecto psicológico - Conhecimento (técnico & prático) - Equipamentos - Preparo Físico

A nossa interferência e resposta para situações de sobrevivência dependerá, exclusivamente, desses 04 elementos, mas há uma importância muito grande em se perceber a participação e relevância de cada um deles no eixo de resposta pessoal.

Hoje sabemos que 90% do sucesso de um indivíduo em uma situação de emergência e ou sobrevivência é determinado por sua capacidade mental em lidar com todos os aspectos que afetam profundamente o ser humano e como ele responde à tais situações, uma vez estando sujeito à um grande stress e tensão constantes.

Na verdade, todo seu conhecimento técnico e prático relacionado à sobrevivência ou mesmo, ainda, os recursos modernos disponíveis consigo, estarão sujeitos ao seu autocontrole para tomar as decisões certas e agir da melhor forma possível para lidar com as demandas impostas por tais cenários pesados e intensos.
Na maioria dos casos, uma atitude positiva e proativa, a capacidade de resiliência, persistência e perseverança possuem um papel muito mais relevante para o sucesso do sobrevivente, que seu condicionamento físico ou quão bom e moderno seu equipamento seja.

Podemos destacar como exemplo, um caso ocorrido a alguns anos atrás em que a tripulação de um navio naufragado se encontrou a deriva no oceano por 2 semanas. Eles estavam em 2 botes bem equipados com tudo aquilo que precisavam para se manterem vivos por muito tempo e estavam ligados um ao outro por um cabo de aproximadamente 20 metros. Todos expostos exatamente às mesmas dificuldades e privações e dispondo dos mesmos bons recursos modernos para lidarem com as demandas técnicas/práticas do cenário de sua luta pela vida.

O resultado final é que após 2 semanas no mar, apesar de muito abatidos, a tripulação de um dos botes saiu andando para dentro do navio que lhes salvava, e a outra parte deles que estava no segundo bote, teve de ser carregada para fora de sua boia salva-vidas e transportada para dentro do navio. Um de seus integrantes, o capitão do barco naufragado, havia falecido pouco antes de serem avistados e salvos.

Qual a razão para dois desfechos tão distintos para pessoas expostas ao mesmo contexto e condições? A resposta é: A atitude mental positiva, proativa e a vontade de viver da tripulação de uma das balsas conseguiu manter seu moral auto o bastante para conseguirem obter os aspectos básicos de sua sobrevivência e eles não se entregaram ao desespero, abandono, falência psicológica e posteriormente, a falência física geral, ocorridas na outra balsa. Lá seus membros não conseguiram lidar com todas as dificuldades de seu cenário, por não terem o domínio mental crucial para continuar a agir persistentemente todo o tempo. Eles se entregaram em seu desânimo, desgosto, frustação e abandono e entraram em um estado mórbido de estagnação.


Concluíndo

Há inúmeros outros casos que poderíamos usar para ilustrar a importância da atitude mental correta em situações de sobrevivência, mas cremos que pelo exemplo mostrado acima, tiramos uma lição valiosa e que nos ensina que: Um grande número de pessoas que falecem em situações de sobrevivência morrem primeiramente em suas mentes, para somente depois padecerem lhes seus corpos.

É na mente que está o segredo do sucesso do sobrevivente. O jogo é ganho ou perdido lá, não importa quão ruim a situação possa parecer externamente. 

Mais uma vez enfatizamos, é a capacidade individual para se adaptar às condições adversas, que permitirá o sucesso da sobrevivência e não sua força física.Diferentemente do que muitos pensam, na natureza não é o mais forte que sobrevive, mas aquele cuja capacidade de adaptação é mais eficiente para se ajustar às condições impostas pela natureza.
Como dito anteriormente, não podemos lutar contra a natureza, pois essa luta já está perdida para nós.

Por isso moramos em ambientes urbanos modernos sobre os quais temos controle, como em nossas casas e cidades. Uma vez na natureza, aprendemos que é ela quem manda e as coisas são como são. Se vc não se adapta, vc paga um preço. Isso é simples assim.

Foi exatamente essa capacidade de “dançar conforme a música” do ser humano, que possibilitou sairmos da África e nos deslocarmos e povoarmos outras áreas inóspitas e perigosas do planeta terra. Sempre jogando com a natureza e não contra ela. Com humildade o bastante para entender nossa real fragilidade e insignificância frente às forças colossais que atuam sobre o planeta.
Percebendo que não somos “a prova de tudo” e que na “luta” do homem contra a natureza, nós somos os perdedores e a natureza, a vencedora!

Sozinho no mato!

E vejam só vcs...
A maioria esmagadora dos posts sobre sobrevivência em ambientes hostis em fóruns de discussão on line, vídeos no youtube e que realmente pegam a atenção do público de uma maneira geral, está sempre ligada à um eixo: Conhecimento (técnico e prático) e Equipamentos.

Muito destaque se dá para esses aspectos que, apesar de sua importância e relevância, não possuem o mesmo peso de um ponto que é ignorado, negligenciado e até mesmo, desconhecido, por muita gente que trata do assunto: O aspecto psicológico ou mental envolvido em situações de sobrevivência, sobretudo aquelas que ultrapassam o período estatístico de 72 horas.

Nos interessamos por lâminas, técnicas de confecção de fogo e todas as dezenas de novidades em equipamentos, tralhas e marcas competindo entre si no mercado e falhamos em conhecer e buscar os mecanismos mais sutis e subjetivos mentais, que, de fato, determinam 90% do sucesso humano em superar os desafios encontrados por nós, uma vez largados em ambientes hostis com poucos recursos, privados do conforto físico e mental que temos em nossa bolha de convivência humana.

Quão pouco minha faca, meu equipamento moderno e meu conhecimento técnico poderão fazer por mim, caso eu não tenha as condições mentais para utilizá-los. Seria como um barco cheio de recursos e possibilidades incríveis, mas à deriva, sem haver um timoneiro resiliente e bem norteado para guiá-lo através da tempestade.
Existem inúmeros relatos de pessoas sem nenhum conhecimento técnico ou prático de sobrevivência que escaparam, por, tbm, terem mantido a serenidade e não terem se desesperado e há tbm casos de outros indivíduos mais bem preparados fisicamente e equipados e padeceram, por não terem dominado o pânico, o medo e o desespero comuns à esses cenários.

Há contudo, certas raras ocasiões nos programas de tv, em que podemos ter uma experiência bastante rica, se estivermos atentos para tudo aquilo que nos está sendo mostrado, inclusive nas entrelinhas. Me refiro ao programa ALONE, que está indo ao ar nos Estados Unidos pela HISTORY CHANNEL e que deverá estrear no Brasil ainda esse ano.

Tenho assistido através de posts no YT e a cada episódio uma lição valiosa é retirada e aprendida da rica experiência que seus participantes vivenciam. O ambiente é hostil, o clima é muito frio e as condições são mortais. Permanecer lá 01 dia sequer, sem qqer preparo, pode significar a morte para qqer pessoa.

Todos os participantes são indivíduos com um alto grau de experiência técnica, conhecimento e vivência mateira, de várias partes do mundo e todos se encontram bem instrumentados para o desafio.

No entanto, percebo por todos os 7 episódios que eu vi até agora, que de uma forma geral, exceto por uma moça que se feriu feio e teve de sair, o fator psicológico foi o único determinante pela saída dos participantes até agora:
O primeiro a sair foi embora logo no segundo dia, se não me engano, pq estava com medo de ursos.
A segunda pessoa não conseguiu lidar com certos traumas, que aparentemente se tornaram um peso insuportável, ainda nos primeiros dias.
A terceira se feriu com um machado.
O quarto e o quinto saíram la pelo vigésimo primeiro dia, por não aguentarem viver longe das pessoas que amavam e o efeito da saudade era maior que eles tinham previsto.
Sobretudo esses dois últimos que saíram no episódio 7, haviam superado com um auto grau de sucesso os aspectos fundamentais de sua sobrevivência e conseguiram suprir as necessidades fisiológicas básicas necessárias, mas não obtiveram êxito em manter a resiliência necessária para sua condição, dado o desgaste psicológico causado pela privação da presença humana.

E como todos já sabem, nosso amigo, irmão e colega, o instrutor David McIntyre, da Escola mestre do Mato, está nos representando muito bem. Não sei qual foi o desfecho do programa nem tenho maiores informações, além das que foram oficialmente divulgadas, especialmente dado todo o sigilo da produção como um todo, mas posso dizer com certeza e alegria que o Mac está se saindo muito bem, apesar de todos os aspectos dificultadores, sejam eles, técnicos, físicos, mentais e naturais.
Tão logo o programa venha ao ar no Brasil, não percam a chance de aprenderem com experiências únicas na vida de qqer pessoa que ama o mato, que gosta e treina técnicas mateiras e de sobrevivência.
A gente se vê no mato! Inté!

Spoiler: O Mac, foi o grande vencedor da segunda temporada do programa Sozinhos ou Alone do canal History Channel! Nosso orgulho e reconhecimento ao Mac, por ter nos representado tão bem e por ter realizado um feito tão grande quanto o que ele alcançou! Parabéns à vc, meu irmão!

 David McIntyre Instrutor da Escola Mestre do mato em nossa área de Mata Atlântica, Paraty - R.J.